Denise

A nova arca de Noé

 

Fonte: Asabrasil.org.br

  

Diz a lenda que Noé salvou um casal de cada espécie animal quando um dilúvio tomou conta do nosso planeta. Tudo foi destruído, menos aquilo que ele colocou dentro de sua Arca. Pois parece que essa história serviu de inspiração para a Global Crop Diversity Trust.

A empresa está montando um projeto gigantesco de armazenamento de sementes no arquipélago norueguês de Svalbard, no Círculo Ártico. Se ocorrer uma hecatombe nuclear que destrua a vida no planeta, ou se o aquecimento global acabar matando boa parte da nossa biodiversidade, ainda assim as pessoas que sobreviverem poderão recomeçar. Isso porque o armazém gigante pretende preservar sementes de todos os tipos de culturas agrícolas. Se tudo o mais der errado e faltar comida no mundo, os humanos remanescentes poderão reiniciar suas plantações (ainda resta saber se nesse cenário de destruição será possível chegar no pólo Norte, descongelar as sementes e voltar para terrenos cultiváveis).

É claro que não é só devido à essas possíveis tragédias que o projeto existe. No mundo, e até no nosso País, é muito frequente a existência de bancos de sementes. A empresa espera fazer uma espécie de backup desses bancos, porque se um banco perder uma de suas amostras (o que acontece com freqüência), essa planta não terá se perdido completamente, porque existirá uma cópia em Svalbard.

O projeto deve começar a funcionar esse ano, e a expectativa é que em 3 anos possua mais de 1,5 milhão de amostras do mundo todo. Inicialmente o banco centrará os esforços em sementes que são importantes para a produção alimentícia e para a agricultura sustentável, mas por ter capacidade para abrigar até 4,5 milhões de amostras, eventualmente poderão ser armazenadas sementes de qualquer variedade existente.

A idéia de usar o arquipélago gelado para preservar as sementes do mundo tem uma explicação social e outra climática. Por ser um lugar remoto, em um país pacífico, afastam-se as chances de um bombardeio ou algo do gênero. Além disso o local está numa área onde não ocorrem terremotos e furacões, e, acima de tudo, é realmente frio. Em Svalbard, mesmo se faltar energia, o permafrost (solo congelado) manterá a temperatura em no máximo -3,5C, suficiente para preservar as sementes por meses.

Fonte: Folha de São Paulo, caderno Ciência, 24/11/2007

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