Archive for August, 2006

Denise Amazonas

Clonagem versus preservação de espécies

Durante todo o ano, a IUCN atualiza sua “lista vermelha” - uma lista de espécies de seres vivos ameaçados de extinção. Essa lista é organizada há quarenta anos e inclui organismos do mundo todo. A última atualização deste ano foi em 17 de Agosto, e infelizmente a lista de plantas e animais ameaçados de extinção não pára de crescer.

Com a tecnologia atual, já é possível clonar esses animais em extinção. Na Inglaterra e em outros centros de pesquisa pelo mundo já existem bancos de material genético de espécies ameaçadas. Porém, por se tratar de uma técnica ainda pouco segura, a clonagem divide opiniões.

Os que são a favor lembram que muitos animais têm encontrado dificuldade para se reproduzirem, já que seus habitats vêm sendo destruídos, e oferecem dificuldade para obtenção de seus gametas, o que dificulta o uso de técnicas de reprodução assistida em cativeiro (apesar de que equipes chinesas conseguiram utilizar essa técnica com o panda gigante das florestas de bambu da China pela primeira vez em 2004 - eu acho). Por outro lado, a coleta de um pedaço de tecido é bastante simples, e as células desse tecido podem ser utilizadas para gerar um novo animal. O ponto negativo da clonagem é diminuir a variabilidade genética, ou seja, todos os organismos seriam iguais. Isso seria fatal na disseminação de doenças, por exemplo.

Porém, aqueles que são contra lembram que a clonagem é um processo cheio de falhas e riscos, capaz de produzir aberrações. O animal clonado sofre de envelhecimento precoce, disfunções cardíacas e imunológicas, alto índice de abortos. A clonagem para manutenção dessas espécies seria, mais uma vez, uma interferência nas leis da Natureza.

Sem dúvida, o melhor seria investir na preservação desses animais, na manutenção de seus habitats, na despoluição de águas, solos e ar, e na diminuição da interferência do homem em ambientes ainda intocados. Mas, na situação atual, o que você acha? Vale a pena correr o risco?

Denise Amazonas

Continuação do post anterior

Antes de mais nada, vamos esclarecer: sou contra todo e qualquer ato violento. Apenas quis mostrar que, atualmente, para defendermos questões ambientais, é preciso lançar mão de atos “radicais” para sermos ouvidos, para chamar a atenção não apenas dos governantes, mas principalmente da população. 

Os problemas que temos hoje nos afetam diretamente (alterações climáticas, poluição, doenças emergentes),e afetarão mais ainda as futuras gerações. É preciso que medidas radicais sejam tomadas agora. Eu digo radicais porque o momento do “desenvolvimento sustentável” já passou, já estamos além da fronteira da invasão e ocupação da Natureza. E a resposta será dura, se não pararmos já de maltratá-la.

E para completar o post anterior, li hoje essa notícia no Terra: Membros da ong Anima Mundo fizeram um protesto contra o consumo de carne durante a Feira Internacional de Agronegócios no Rio Grande do Sul: os manifestantes se embalaram como pedaços de carne no supermercado.
Vejam a foto, da agência EFE.

Denise Amazonas

Um outro tipo de terrorismo

Nos últimos anos, o número de grupos que utilizam protestos violentos (como colocar bombas em redes de fast food e incendiar laboratórios) em defesa de causas ecológicas tem aumentado. Só no Reino Unido são mais de 3 mil organizações, das quais a principal é a ALF (Animal Liberation Front). O medo fez com que o comércio de peles diminuísse e a utilização de animais em experimentos conduzidos por universidades é extremamente criterioso. Nos EUA, o efeito desse chamado “terrorismo” foi fazer com que o Congresso estudasse novas leis para enquadras esses crimes como delitos federais.
O primeiro ataque da ALF foi em 1973, e desde então contabilizam mais de mil ações. Utiliza figuras muito interessantes (homens com capuz carregando bichinhos) e tem posições bastante definidas e radicais, como a campanha “Comer carne é um assassinato”. Nem preciso dizer que os membros dessa organização são vegetarianos…
Um outro grupo importante é o PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), do qual faz parte a vocalista da banda The Pretenders, Chrissie Hynde. A atual campanha, “Ajude a China a acabar com a morte de cachorros” diz respeito à campanha contra a raiva nesse país. O governo chinês decidiu recolher os cachorros nas ruas e matar, simplesmente assim. Em 2003, a organização fez uma campanha polêmica nos EUA: “Holocausto no seu prato”, com cartazes de animais destroçados como se estivessem em campos de concentração.
Uma terceira organização é a ELF (Earth Liberation Front), que defende a fauna e flora. O FBI classicou essa organização como um dos maiores grupos terroristas do país, já que o objetivo é causar danos materiais aos que promovem a destruição do meio ambiente. Eles tem até uma cartilha de “o que fazer se um agente do FBI bater na sua porta” (!!!). O Greenpeace também está na mira do FBI, devido a invasão de usinas nucleares, navios em alto-mar e suas campanhas radicais.
A discussão, quem é e quem não é terrorista, vai longe. O importante é olhar essas organizações com outros olhos. Estamos num momento muito delicado da nossa vida como humanos. É preciso que olhemos ao redor e percebamos que, em alguns anos, tudo vai mudar, e é possível que nossa vida não seja mais possível quando percebermos isso. A violência e radicalismo dessas organizações são uma forma de serem notadas, e certamente não têm a intenção de causar medo, e sim fazer com que as pessoas raciocinem o porquê das ações.
Muitas pessoas estão felizes com os dias de “verão” em pleno inverno aqui no Brasil, mas na verdade isso é motivo de preocupação: estamos tendo dias quentes no inverno, imagina no verão? Essa alteração climática é motivada por um aumento de quase um grau centígrado na temperatura do planeta, e isso é culpa nossa.
Precisamos nos conscientizar, e fazer alguma coisa pra mudar.